Relacao custo-efetividade da cardioversao eletrica versus quimica, no tratamento da fibrilacao atrial

Relacao custo-efetividade da cardioversao eletrica versus quimica, no tratamento da fibrilacao atrial

Autor Figueiredo, Edilberto Autor UNIFESP Google Scholar
Resumo Com a finalidade de comparar a efetividade e os custos de duas estrategias de cardioversao da fibrilacao atrial, foram estudados 139 pacientes apresentando episodios de fibrilacao atrial com duracao maxima de 6 meses e indicacao de reversao para o ritmo sinusal. Os pacientes deveriam ser elegiveis para qualquer um dos dois metodos de cardioversao (eletrica ou quimica). Setenta e quatro pacientes eram do sexo feminino e 65 do sexo masculino. A idade variou de 21 a 83 anos, com uma mediana de 58 anos. Cinquenta e seis pacientes (40,3%) apresentavam fibrilacao atrial isolada e 83 (59,7%) pacientes tinham alguma cardiopatia estrutural. Foram excluidos pacientes com insufiCiência cardiaca em classe funcional III ou IV. O tamanho do atrio esquerdo ao ecocardiografa variou de 26 a 62 mm, com uma media de 41 ± 7mm. Setenta pacientes (55,1%) nunca haviam apresentado episodios previos de fibrilacao atrial. Nos demais 57 (44,9%), a duracao da historia de fibrilacao atrial variou de 1 a 240 meses (mediana de 36 meses). A duracao do episodio de fibrilacao atrial que motivou a inclusao do paciente no estudo variou de 1 hora a 6 meses, com uma mediana de 28 horas. Os pacientes foram randomizados em dois grupos. No grupo E, composto de 67 pacientes, foi utilizada a estrategia de proceder a tentativa inicial de cardioversao eletrica, eventualmente seguida de cardioversao quimica. No grupo Q, constituido por 72 pacientes, aplicou-se a estrategia de realizar a tentativa inicial de cardioversao quimica, eventualmente seguida de cardioversao eletrica. Os resultados dos dois grupos foram analisados usando-se o principio da intencao de tratar. Ao mesmo tempo, realizou-se uma analise da efetividade primaria, complicacoes e variaveis relacionadas ao sucesso de cada um dos metodos de cardioversao. A efetividade primaria da cardioversao eletrica (73,1%) foi semelhante a da cardioversao quimica (73,6%). A analise multivariada de regressao logistica mostrou que a idade do paciente e o numero de episodios previos de FA foram os fatores relacionados de forma independente e significante ao sucesso primario da cardioversao eletrica. Pacientes com menos de 57 anos e sem episodios previos de FA apresentaram taxas de sucesso primario significantemente melhores. O unico fator relacionado de forma independente e significante ao sucesso primario da cardioversao quimica foi a duracao do episodio de FA. Pacientes com episodios de duracao ate 30 dias apresentaram taxas de sucesso primario significantemente melhores. Pacientes com aumento do diametro do atrio esquerdo ao ecocardiograma mostraram forte tendencia a piores taxas de sucesso. A estrategia de iniciar o tratamento da FA pela cardioversao quimica apresentou melhor efetividade (95,6%) que a estrategia de iniciar pela cardioversao eletrica (83,6%), sendo a diferenca estatisticamente significante (p = 0,016). Os custos hospitalares, de acordo com os valores da tabela da AMB-95, computados desde a internacao do paciente ate a reversao ao ritmo sinusal (ou interrupcao das tentativas de cardioversao) foram maiores no grupo E (media de R$ 534,21 por paciente) do que no grupo Q (media de R$ 396,13 por paciente), sendo a diferenca estatisticamente significante (p = 0,0002). A relacao custo-efetividade foi favoravel a estrategia de iniciar o tratamento pela cardioversao quimica que, alem de ser mais efetiva, apresentou menor custo por paciente. A melhor relacao custo-efetividade foi encontrada no subgrupo de pacientes com fibrilacao atrial isolada. Considerando os dois metodos de cardioversao independentemente, as complicacoes leves, nao envolvendo risco de vida, foram significantemente mais frequentes (p = 0,0001) nos pacientes submetidos a cardioversao eletrica (50% dos casos) do que naqueles submetidos a cardioversao quimica (11,5%). Complicacoes graves, representadas por eventos que envolveram risco de vida, ocorreram em 4,6% dos pacientes submetidos a cardioversao quimica. Essas complicacoes ocorreram todas no subgrupo com cardiopatia subjacente. Conclui-se que, na amostra estudada: 1. A efetividade primaria da cardioversao eletrica foi semelhante a da cardioversao quimica. 2. A estrategia de iniciar o tratamento da FA pela cardioversao quimica apresentou maior efetividade e menores custos, resultando, assim, em melhor relacao custo-efetividade, especialmente no subgrupo de pacientes com FA isolada. 3. A cardioversao quimica parece envolver maiores riscos de complicacoes graves na populacao de cardiopatas
Assunto Fibrilação Atrial
Análise Custo-Benefício
Cardioversão Elétrica
Arritmias Cardíacas
Antiarrítmicos
Idioma Português
Data 1997
Publicado em São Paulo: [s.n.], 1997. 160 p.
Editor Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 160 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Tese de doutorado
URI http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/15251

Mostrar registro completo




Arquivos deste item

Arquivos Tamanho Formato Visualização

Não existem arquivos associados a este item.

Este item aparece na(s) seguinte(s) coleção(s)

Buscar DSpace


Navegar

Minha conta